Mas não agora.

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Já me perguntaram o que você é.
E não foram poucas as vezes.
“Ele é teu namorado?”
“Ele é só teu amigo?”
“Ele é teu…?”
Mas eu só abano a cabeça e respondo que ninguém pertence a ninguém nessa vida.
Todo mundo é livre.
Não é assim?

Mas, pra mim mesma, quando eu tô sozinha e ninguém está olhando,
Eu sei exatamente o que você é.
Você é aquela coceira que eu sinto nas minhas veias e nas minhas terminações nervosas.
Dentro do meu sangue, quando ele fica circulando quente e ansioso.
Você é o frio na minha barriga e na minha espinha ao mesmo tempo.
Você é o que faz os pelinhos da minha nuca se arrepiarem, e eu minto dizendo que foi o vento que entrou pela janela aberta.
Você é aquela agonia que me dá toda vez que eu te olho e fico na beirinha de um abismo, sem saber se pulo ou não.
Dá tanta vontade de pular.
Mas eu tenho tanto medo.
Nunca pulo.
Mas você é o próprio abismo, me olhando lá de baixo e esperando eu ter coragem de ir na sua direção a qualquer momento.
Você são os seus braços sempre abertos, que ficam me chamando que nem um ímã.
Você é o seu sorriso meio vacilante, que nunca sabe se está indo longe demais e sempre fica no limite exato pra me fazer ficar imaginando o que existe por trás dele.
Existe algo por trás dele?
Acho que eu tô só imaginando.

Você é tantas coisas ao mesmo tempo.

Mas não é meu.

Ninguém pertence a ninguém nessa vida.
Todo mundo é livre.

Que pena.

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A fome infinita das crianças de olhares tristes na África é aterradora. Perder dinheiro deixa qualquer um puto. Reginaldo Rossi morreu sexta e isso é triste. Bati meu dedão na quina da mesinha e estou sentindo a dor até agora. A roubalheira do mensalão e a cara de pau dos políticos faz qualquer brasileiro se revoltar. Meu coração se encolhe sempre que vejo alguma notícia sobre jovens vítimas de balas perdidas e acidentes de automóveis. Em Boa Viagem, não dá pra nadar até o fundo naquele mar tão bonito porque tem tubarão e todo mundo morre de medo dos ataques. Chorei até de manhã lendo aquele livro com o final tão trágico. Ninguém gosta de ficar de recuperação e ter as férias bem curtinhas. Insônia é uma merda, ressaca é foda, e ler ‘transação não autorizada’ é o pior jeito de tomar no cu. Ver uma mulher ser apedrejada pelo marido no Irã é aterrador. Quando o Carnaval cai em fevereiro é tão chato. Ver o Brasil perder na Copa do Mundo também. Flagrar sua mãe chorando então, nem se fala. Péssimo. Ter que acordar cedo no sábado seria a pior coisa do mundo se não existissem as segunda-feiras ensolaradas e as sextas chuvosas. Ir ao cinema sozinha sempre me deixa deprimida. Mais ou menos como quando leio tantas notícias sobre assaltos, estupros e homicídios aqui na cidade. Minha enxaqueca não passa de jeito nenhum. Acabou o requeijão. Tenho pouco dinheiro na conta. Sinto saudades de gente que não vou ver nunca mais. E odeio ficar sozinha nos sábados à noite quase tanto quanto odeio preconceito de qualquer tipo e calças brancas.

Tudo isso é ruim, mas nada no mundo se compara ao que eu senti naquele minuto em que você me disse:

“A gente é o oposto um do outro.
Enquanto eu não amo ninguém
Você ama todo mundo. ”

Depois desse dia, você virou todo mundo.
E eu virei ninguém.