Estamos a quatro anos de distância e dois mil e dezessete whiskies.

Quatro longos anos que vão te fazer morrer de arrependimento e sofrer de saudade de mim. Da gente.
Querer voltar atrás.
Mas agora, nesses exatos zero vírgula cinco segundos, quem fica pra trás sou eu, enquanto você sempre levanta e vai embora, na minha frente, que é pra eu ver as suas costas sumindo enquanto viram a esquina e eu ainda estou na calçada, andando devagar que é pra te deixar ir, mesmo querendo que você ficasse.
Eu sei que daqui a quatro anos você vai dar meia volta e subir a rua de novo.
Só que quem não vai estar aqui, parada na porta, te olhando, serei eu.
Já terei ido em frente e serão as minhas costas para você olhar agora.
Eu vou de vez enquanto cada passo seu só te traz pra trás, pra perto, pra mim.
Mas se eu te olhar agora, não estamos nem tão longe assim.
Apenas alguns braços que abraçam a sua cadeira nos separam.
Mãos que alisam seu joelho.
Olhos que só veem você.
Enquanto eu te olho, você pisca e sorri, encolhendo os ombros, como que pra me dizer:
Daqui a alguns anos quem sabe? Mas agora não.
O que se pode fazer? As coisas são como são. Não dá pra evitar.
E eu encolho os ombros do lado de cá e sorrio também, aquele riso amargo que engasga na garganta.
Finjo que sou paciente, que sou generosa, que compreendo e perdoo tudo.
Posso te dividir com trinta e sete outras só porque na verdade, eu não te divido com ninguém.
O você que eu gosto é só meu e ninguém mais conhece. Pena que ele some enquanto você bebe pra me esquecer, beija pra me magoar e fode querendo me foder mesmo.
Fazer o quê? As coisas são como são. Não dá pra evitar.
Daqui a quatro anos a gente vê. A gente se vê. E vemos se continuamos nos vendo.
E melhor ainda, se ainda no enxergamos.
Por ora eu vou apenas espremendo meu coração que já virou bagaço e já foi jogado fora.
Do amor nós dois já chupamos até o caroço e foi doce enquanto durou.
Pena que vez ou outra os fiapos ainda insistem em ficarem presos no meu dente.

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