Eu só queria escrever um texto bonito sobre como todo mundo fala sobre o amor todo dia, defende, prega, sente e se ressente sobre o assunto, mas nunca parece alcançar aquele sentimento. Você sabe, aquele. Das músicas dos Beatles, dos filmes mais clichês aos mais indies, das histórias de amor que nunca ficam velhas nos melhores livros. Todos nós parecemos viver em torno desse sentimento, mas nunca sentindo ele correndo nas nossas veias. Ouvimos o tempo todo sobre almas gêmeas, relacionamentos que superaram milhões de quilômetros, paixão à primeira vista, gente que se amou desde criança ou até aquele casal de velhinhos na parada de ônibus.

Mas são sempre  perfeitos os amores dos outros, nunca os nossos. Porque parece que a maioria de nós apenas aceita o amor que aparece. Que talvez não seja assim tão bom, mas também não é tão ruim. É como uma roupa que quase cabe perfeitamente. Só precisa de uns ajustes aqui ali. Se fosse mais apertada nas mangas ou mais folgada na barra. Talvez de outra cor ou em outro tecido.

E desse jeito foi com a gente, até o fim. Se naquele dia você tivesse vindo, se eu quisesse ter te encontrado ou só se o destino tivesse colaborado mais um pouco…Até eu notar que a quantidade de “e se” era grande demais pra algo que já não era quase nada. Pro tão pouquinho que sempre nos definiu. Pouco espaço entre a gente, poucas palavras, poucas roupas e poucos momentos pra guardar. E aí ficou pouco demais pra mim.

Eu decidi parar de tentar reescrever a nossa história, consertar os defeitos, regravar aquela cena com outra luz. Se não tem mais jeito, se é pouco demais, se não serve, se não cabe, se usei até rasgar. Então eu vou jogar fora e começar tudo de novo. Espero que dessa vez o sentimento não seja nem muito apertado nem muito largo. Da cor que eu gosto, do tamanho que eu merecer.

 

 

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