Desde pequena eu penso ao contrário. Ao contrário do normal de todo mundo pensar. E é mais do que ser do contra. As pessoas pensam que eu só gosto de discordar, mas eu juro que é sem querer. Eu nem preciso que você pense x pra eu começar a pensar y. Eu simplesmente penso. Até crescer ou até sei lá, ano passado, eu achava que o meu jeito é que era o certo e tava todo mundo errado. “Como alguém pode pensar assim?”, eu pensava. Até cair a ficha de que sou eu que nado contra a corrente, que subo o rio, que migro pro oeste enquando todo mundo segue seu caminho pro norte. E pra variar, ao contrário do que todo mundo pensa, eu penso que pensar diferente nem sempre é bom. Não é especial, não é inovador, não é criativo. Quer dizer, talvez seja, mas eu precisaria de uma outra pessoa que também pensasse pra confirmar. Mas até então tem sido apenas solitário. É uma piada que só eu acho graça. É tentar explicar que pra mim o céu é verde, que o mar é roxo e que a terra é cor de burro quando foge. Sendo que ninguém mais vê assim e eu acabo sendo só a louca que vive em outro mundo. Mas depois de tanto tempo, cheguei à conclusão de que não existe só um mundo pra viver, uma cor pra enxergar, um modo certo de pensar. Somos todos milhares e o universo inteiro não pode se resumir à uma paleta de cores, uma aquarela, nem mesmo um arco-íris. Prefiro acreditar que somos todos caleidoscopicamente coloridos.

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