– Oi. E aí, tudo certo?
– Tudo ótimo e vc?
– Também, também. Eu só queria te perguntar uma coisa.
– Fala.
– Agora que já faz um tempo que a gente se conhece e que já somos bem próximos, eu tive muita paciência mas eu só queria saber…Você já começou a me amar?
– Desculpa, ainda nada.
– Nem perto? Nem um pouquinho?
– Nada, nada.
– Alguma previsão de quando vai ser isso?
– Não tenho como saber né. Nessas coisas a gente não manda, dizem por aí. Não que eu saiba.
– Certo…Mas acho que agora não deve demorar muito. Enfim, to aí no aguardo, ok? Não esqueça de mim e se puder, se apressa! Tô cansada de esperar sozinha.
-Hum…Ok.

-Oi! E aí, alguma novidade sobre aquele assunto?
-Olá…Que assunto?
– Você já tá sonhando comigo toda noite, não pára de pensar na minha voz, no meu cheiro, no meu sorriso. Fica feliz só de me ver, morre de saudade quando tá longe, etc?
– Hein????
-Em resumo, cê já se apaixonou por mim?
– Ah, certo. Então. Nada ainda.
– Mas…Eu tô fazendo alguma coisa de errado? Eu pensei que a essa altura você já estaria correspondendo meus sentimentos. Eu não paro de pensar em você, você ainda nada…???
– Desculpe, não dá pra apressar essas coisas. Por enquanto nada.
– Ok. Vou parar de ficar em cima, isso não vai ajudar. Juro, vou te dar teu tempo e as coisas vão acontecer naturalmente.
– Total.

– E aí, agora você já me ama?
– Mas só se passaram cinco minutos!
– Ah, tempo é relativo né. A gente já tá tão próximo, eu achei que já tava tudo certo pra isso acontecer, não tô entendendo essa demora.
– Olha… Desculpa, não dá mais. Até quando você vai continuar me esperando? Me rondando e tentando fazer com que eu me apaixone por você? Eu sei, eu sei. Você tá completamente apaixonada, obcecada, não me tira da cabeça, dos sonhos, das conversas com os amigos, até aqui nesse texto eu tô, nas entrelinhas, mesmo você jurando que não ia escrever mais sobre mim. É, eu sei de tudo isso. Sei também que você pensou que com o tempo as coisas iam mudar entre a gente, tomar um caminho natural, já que somos tão próximos, tão parecidos e como você mesma já disse até pro carteiro: faríamos um casal tão bonito! Combinamos em quase tudo. As diferenças são só um ingrediente a mais na nossa química. E você sendo essa pessoa tão maravilhosa, tão especial, como é que eu não consigo me apaixonar por você? Será que eu não tô apenas com medo de admitir os meus verdadeiros sentimentos? São muitas as teorias e hipóteses na sua cabeça pra tentar me explicar, me justificar, atenuar o meu terrível erro de não amar você. Mas o problema é que eu te amo, sim. Muito, como você já percebeu. Claro que eu amo porque você é incrível, ora. Só que não é o tipo de amor que você quer e espera desesperadamente de mim. E esse, minha cara, não vai acontecer, porque se fosse para surgir, já teria surgido. Simplesmente não aconteceu. E sim, tá tudo aqui: eu, você, as nossas personalidades que combinam tão bem, seu sorriso charmoso, minhas piadas, nossos gostos parecidos. Mas aquela faísca é o que ficou faltando. Nunca existiu nem vai surgir por combustão espontânea. Não, a gente não vai ficar junto no final. Pode jogar fora as canecas combinando, os ingressos de cinema no domingo e assistir sozinha os boxes do nosso seriado favorito. Não fomos feitos um para o outro e não existe nenhuma força que me atraia até você, fora minha vontade casual de te ver, conversar, tomar uma cerveja com nossos amigos naquele bar da esquina. Mas é aí o nosso fim da linha. Eu sei que parece crueldade minha. Mas eu não posso mais ser pra sempre sua personagem, nessa história de amor que só existe na sua cabeça. Eu sou de carne e osso. Eu erro também. Sou egoísta, infantil e não sei direito o que quero da vida, você tá certa. Mas sei que não quero mais fazer parte das suas expectativas. Pode parar de me esperar porque eu não vou chegar. A saga da gente já tá escrita da letra maiúscula até o ponto final, já virou filme e já foi reprisada até na sessão da tarde. A partir de agora você já pode fechar esse livro, me guardar na estante e ir viver uma outra história.

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