Eu gosto de gente esquisita. Gosto não, eu adoro. Comigo é sempre na hipérbole. Então, eu odeio gente normal e adoro gente estranha.

Odeio também quem fica tentando classificar os outros em algum padrão de normalidade. Quem tem como passatmepo apontar o dedinho na cara das pessoas e dizer: ‘o que tem de errado com você? Por que você não é normal e igual a todo mundo?’

Já ouvi essa pergunta milhares de vezes, porque eu também sou uma esquisita, em todos os sentidos. Já ouvi das mais variadas formas o quão ‘diferente’ eu sou.

Formulei algumas respostas tais quais ‘não sei, Deus me fez assim’ ou ‘Sou estranha mas sou legal’ e até ‘não sou tããõ esquisita assim,vai’. Mas finalmente entendi : É chato ser normal.

Eu devo saber, já tentei muitas vezes. Tentei ser igual a todo mundo, me encaixar, ser aceita, me esconder na multidão. Mas além de extremamente trabalhoso, é incrivelmente chato ser normal. Qual a graça de se parecer com outros 6 bilhões de seres? Qual a graça de não ter graça nenhuma?

É díficil chegar a essa conclusão. Pessoas esquisitas passam a vida inteira tentando serem aceitos e tentando agradar todo mundo, se esforçando demais para isso. Nem sempre agindo da maneira como queriam só por medo de ser tachados de ‘estranhos’.

Mas ao contrário do que se fala, ser esquisito não é um defeito. É uma diferença.  E tal qual qualquer outra diferença, precisa ser respeitada.

Se você olhar com atenção uma resma de papéis, sempre tem uma folha que vem com o chamado ‘defeito de fábrica’. Ela seria igual às outras 499, se não fosse por um pequeno detalhe: um amassado, um pedacinho rasgado, uma ponta menor que a outra. É só uma pequena diferença, mas faz a folha se destacar entre todas as outras. E isso não precisa ser negativo, só diferente.

Eu finalmente gosto de ser estranha, diferente. Agora olho o que eu costumava chamar de ‘defeitos’ como coisas que me fazem única e especial. Um amassado, um pedacinho rasgado, que me destacam no meio da multidão.

E sim, eu prefiro gente esquisita ao meu redor. Tenho adoração por aqueles que são vistos pelos outros como ‘diferentes’: O ‘chatinho’, a ‘mal-humorada’, ‘a que não parece ter a idade que tem’, ‘o religioso demais’, a ‘sabe-tudo’, ‘o nerd’, ‘o bobinho’, ‘a que fica muito em casa’. Todos esses que são apontados diariamente como estranhos pelos outros são os que mais despertam meu interesse e meu afeto.

Toda vez que alguém me revela uma mania estranha ou um costume absurdo eu me encanto automaticamente pela pessoa. Por ela ter coragem de ser diferente e de manter um pequeno mundinho maluco tão interessante e intocado pela sociedade.

Ser normal talvez seja mais fácil. Pertencer ao padrão talvez seja recompensador e te faça sentir-se mais acolhido, mais aceito, mais seguro.

Mas ser diferente é ser único. É ser especial. Seja um pedacinho rasgado ou amassado. Falta ou excesso de algo. Manias estranhas, características peculiares, preferências duvidosas e ideias originais.

Ter a coragem de assumir  e fazer sua diferença no mundo é o que torna as pessoas interessantes e únicas. Além do mais, ser normal deve ser muito, muito chato.

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