“O coração tem domicílio no peito.

Comigo a anatomia ficou louca.

Sou todo coração.”

(Maiakóvski)

 

E eu choro baixinho no quarto, que é pra não incomodar ninguém. Sempre chorei calada,mesmo estando sozinha como agora e não tendo ninguém para incomodar.

Mais tarde minha mãe vai chegar e vai me ver chorando sem falar nada. Ela tá cansada de me ver chorando aqui nesse quarto e só vai me olhar com pena.

Todo mundo que me conhece também tá cansado. Dos meus problemas infinitos, das minhas dores que são tão grandes, dos meus textos melancólicos e das minhas reclamações barulhentas.

Eu também to cansada. Cansada de sentir essa dor que não passa nunca. Cansada de  me achar tão diferente de todo mundo. Cansada de me perguntar o que há de errado comigo.

Cansada de todo mundo sempre cansar de mim.

OK, eu assumo todos os meus horríveis defeitos. Horríveis, todos horríveis. Eu devo ser a pior pessoa do mundo. Você acha que eu não queria ser diferente? Ou melhor, você acha que eu não queria ser igual a todo mundo? E sorrir o tempo todo e passar pela vida anestesiado, achando tudo maravilhoso  e não ligar pra nada? Eu queria.

Mas alguém determinou que eu ia ser sempre o peixe fora d’água, que eu não ia me encaixar em lugar nenhum e que eu ia ser um peso para todo mundo que chegasse perto o bastante.

Eu nunca quis ser assim. Me desculpa por esse imprevisto. Não fui eu que escolhi isso.

A cada dia que passo estou sendo esmagada pela minha própria intensidade. Estou transbordando aos poucos, numa contagem destrutiva para explodir em um milhão de fragmentos. Dói ser assim.

Já cansei de mim mesma  várias vezes.

Me destruo um pouquinho  a cada dia esperando pelo momento  em  que não sobre mais nada.

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