Fim de ano chegando e os posts clichês começam a aparecer. Gente analisando como 2011 se portou, fazendo retrospectivas e textos padrão para falar do que já passou.
Nessa época também são comuns os textos cheios de esperança para o ano que vem aí. Pensamento positivo, sonhos, planos, metas, projetos. O fim de um período é sempre um tempo de renovação.

Mas o que ninguém comenta é que renovação é sempre difícil. Afinal, para deixar mais coisas boas se aproximarem é necessário deixar outras irem embora.

Esse ano foi tão difícil, cheio de problemas insolúveis, situações limite, crises, tempestades sem nenhuma calmaria. Foram 12 meses de recolher pedaços de coisas que costumavam ser indestrutíveis, de fechar os olhos e abrir mão do que era mais precioso, de ter que esquecer tudo que eu achava que sabia, que confiava.

2011 se superou no drama, no roteiro de novela mexicana e tragédia grega, foi escandaloso demais até pra mim que gosto de um bom exagero. Mas até eu tive a impressão de que não ia conseguir superar esse ano. Sobreviver inteira.

Visualizei muitas vezes aquelas cenas de filmes em que a mocinha vai embora ao pôr-do-sol, carregando uma mala enquanto toca uma música triste e os créditos sobem. Até eu, que gosto de um bom roteiro triste, fui superada por 2011.

Mas enfim esse ano terrível acabou e de alguma forma, eu sobrevivi a ele. Mas infelizmente não sem algumas perdas.

Já ouvi várias vezes sobre como crescer é difícil e doloroso. Mas também ouvi sobre ser necessário e inevitável.

Ninguém quer ficar parado no tempo.

Aprendi por mim mesma que crescer muitas vezes significa sair da sua zona de conforto. Abrir mão do que é cômodo, do que te ampara, do que te sustenta. Afinal, como eu conseguiria aprender a me virar sozinha se eu realmente não estiver sozinha?

Crianças frequentemente não querem abandonar seus cobertores favoritos. Os ursinhos de pelúcia. O pijama colorido e confortável. Mas ninguém vê adultos com essas coisas. Por que para crescer, foi essencial deixar tudo isso para trás, pois pertence a outra fase da sua vida e não se encaixa mais.

Eu poderia passar linhas e linhas usando metáforas com borboletas e casulos ou sobre os pássaros serem obrigados a deixar o ninho das mães para poderem aprender a voar sozinhos. Mas acho que esse é um sentimento tão universal, que dispensa explicações.

Nesse fim de ano eu estou saindo da minha zona de conforto em milhares de aspectos. Eu estou abandonando e deixando para trás muito do que é cômodo na minha vida para me aventurar em coisas novas e assustadoras.

Assim como as crianças, eu não queria ter que me desfazer das minhas coisas favoritas, mas de que outra forma eu poderia crescer?

É difícil, é doloroso, é assustador. Mas sem isso eu seria só mais uma covarde parada no tempo, esperando que o mundo trouxesse pra mim as mudanças que eu tanto quero. Mesmo ferida, mesmo me sentindo tão sozinha e tão criança ainda, eu me orgulho de ter coragem de crescer e de deixar tanta coisa querida para trás.

Contradizendo o que eu passei doze meses repetindo, em 2012 eu não quero calmaria. Eu não quero conforto, eu não quero acomodação, eu não quero que fique ‘tudo bem,sempre’.

Eu quero mais aprendizado, eu quero estar assustada e mesmo assim ter força para continuar, eu quero continuar tentando mesmo quando parecer tão difícil e eu quero conseguir tudo isso mesmo estando sozinha.

Crescer nunca é fácil, mas é inevitável.

Ser empurrado do ninho é aterrorizante, mas de que outra forma aprenderíamos a voar sozinhos?

Que venha 2012.

“Maybe I should leave to help you see.

But go on and take it

Take it all with you, don’t look back.”
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