Sem querer ser alarmista nem nada,mas só faltam 4 meses pro ano acabar.
Percebi isso outro dia e fiquei meio em pânico.
Aquela sensação de : o que foi que eu fiz? Será que ainda dá tempo de conseguir tudo que eu quero?

Comecei o ano sem saber direito o que eu queria. Comecei o ano sendo outra pessoa que eu nem sei mais quem era. Todo mundo tinha planos,desejos,objetivos específicos,sei lá, qualquer coisa pra mentalizar, qualquer alguém pra pensar.
Eu tava completamente perdida, sem desejar nada e desejando tudo ao mesmo tempo.
Quem não escolhe é levado pelo acaso. Pelas escolhas dos outros, pelas coincidências absurdas, pelo que aparecer primeiro.
E eu passei o ano sendo levada mesmo, muitas vezes até carregada pelo completo acaso.

Se eu acreditasse em destino,atribuiria a ele a maior parte do meu ano.
Em algum momento eu parei de decidir,eu parei de pensar tanto antes de fazer, parei de ficar no ‘e se…’ e simplesmente fiz o que quis ou o que alguém quis, ou o que parecia ser a melhor opção na hora. Fiz coisas improváveis, incríveis, absurdas, idiotas, impulsivas e irresponsáveis.

Não me arrependo de nada. Tá, quase nada. Talvez uma boa parte das dívidas pudesse ter sido evitada, pra ter mais calma agora.

Mas aí eu teria saído menos, me divertido menos, dançado menos, vivido menos. Então tá,né. As divídas são pra lembrar que apesar de tudo, a gente sempre tem que se divertir.

Sempre vai ter um último sushi, uma última boate, uma última festa open bar, um último barzinho, uma última roupinha nova pra usar nisso tudo,etc. Como diria Cazuza, só a futilidade me salva.

Agora quando eu me toquei e percebi que o ano tá acabando, parece que surgiu uma ampulheta gigante na minha cabeça, com a areia quase acabando. Uma arma engatilhada e apontada pro meu ouvido. Alguém fazendo contagem regressiva bem devagar.

E eu correndo e pensando : ‘ainda dá tempo? agora eu decidi o que eu quero,ainda vai dar tempo? pera,tô correndo atrás,me espera. Me espera finalmente virar a pessoa que eu quero ser.’

Mesmo que eu não consiga, eu aprendi muito sobre mim mesma esse ano.

Sei direitinho o que eu não quero, o que eu quero não querer e o que eu não quero mais,nunca mais. Parece letra de música, mas eu acho que finalmente sei aonde eu errei.

Aonde eu venho errando há muito tempo, jurando que tô no caminho certo e que a qualquer instante tudo vai dar certo.
Mas não. Eu demorei muito pra parar de bater a cabeça sempre na mesma quina de porta e olhar ao redor.

E entender que o problema era o caminho. Não era o certo e não ia adiantar ficar batendo a cabeça. Mesmo com toda a minha persistência, ele não vai se transformar automaticamente.
Eu tenho que achar o caminho certo.

Ainda dá tempo,ainda dá tempo. Dá? Acho que dá. Se eu correr, dá sim.
O mais importante não é acertar o caminho,mas ter a vontade de buscá-lo. Isso por si só, já é um bom caminho pra mim.

Anúncios