Amor é difícil. Amar é mais ainda. Não é que nem nos filmes, espero que você saiba. Não tem a ver com corridas na chuva, campos de flores e grandes declarações no fim do filme.

Amor é dia-a-dia. Você conhece alguém e ele vira parte da sua vida. Às vezes você nem sente,mas ele vai ficando,vai ficando. Quando você olha,ele tá ali há um tempo já. E vocês dividiram dias horríveis,aqueles emq ue você quis sumir.

Ou dias maravilhosos,ele contando piadas idiotas,você morrendo de rir. Ou vocês não fizeram nada,mas até o silêncio era confortável.

E pronto. O tempo passa e a pessoa ganha importância pra você.Simples assim. Ela não faz absolutamente nada de especial. Às vezes ela tem milhões de defeitos. Ou ela é alguém tão perfeito pros outros que só você conhece os pontos fracos. Mas é isso. Amor geralmente é continuidade. É apenas ‘estar ali’ de um jeito que parece que sempre esteve.

Mas aí você me diz ‘poxa, mas até aí tá bem fácil,viu’. E eu digo : espera que a melhor parte ainda tá por vir.
Você só mostra que ama alguém quando você faz algo por ela. Atitudes,não palavras.Cuidado, proteção,sacrifício,esforço,pequenos gestos de carinho, atenção, doçura.

Amar alguém tem a ver com generosidade,não com egoísmo.Você coloca o outro em primeiro lugar.Você quer o bem dele,não importa como.Você ama alguém mesmo que ele lhe odeie ,não note que você existe ou te despreze. Sim,você ama. E nada muda isso.

Se ele chora,você só consegue pensar em melhorar a dor dele de alguma forma.Qualquer forma. Porque a dor dele dói mais em você do que a sua. Porque é mais imprtante secar as lágrimas dele do que as suas. Porque só o que você quer é que ele não sofra mais , se possível, nunca mais.

É,eu disse que era difícil.Amar alguém geralmente acaba mal. Pra você,pra ele,pra todos os envolvidos. Porque você dá demais coisas que nem foram pedidas. E fica sentadinha esperando de volta. E não vem. E é aí que você começa a amaldiçoar o amor e essa mania idiota dele aparecer na sua vida.

Amar é ruim.Não é que nem nos filmes.Você não chora com as amigas tomando sorvete ou comendo chocolate, podendo faltar o emprego e ignorando todas as obrigações da sua vida.

No final é você em casa sozinha, sem conseguir chorar porque a dor é tão grande que não dá pra expressar de jeito nenhum. Dói muito. E o mundo não pára pra que você melhore.

Vai por mim, se você pesar bem, amor não vale o custo-benefício. Pode ser liiindo por décadas ou por anos. Mas em alguma hora, ele vai te fazer sofrer. Acredite em mim, ele vai.

E só o que você pode fazer é esperar. Esperar que pare de doer. Esperar que acordar todo dia e ter que encarar o mundo não seja um sacrifício tão grande. Esperar que isso não seja mais o centro das suas atenções. Esperar pelo dia que você finalmente pare se importar tanto, de ficar sem dormir, de pensar e tentar consertar os erros milhares de vezes.

O tempo não faz o amor sumir. Ou acabar. Até porque se é amor mesmo, não acaba nunca.

Mas ele tira isso do foco da sua atenção. Ele deixa outras pessoas aparecerem. Ele faz você crescer e sobreviver. Dia após dia. Mesmo que leve anos.

O tempo é o único antídoto eficaz contra o amor.

“Você já amou? Não é horrível? Você fica tão vulnerável. Abre o peito e o coração. Qualquer um pode entrar e bagunçar tudo. Você constrói tantas defesas. Passa anos construindo uma blindagem completa para que nada possa te machucar, até que uma pessoa idiota, igual a qualquer outra pessoa idiota, aparece na sua vida idiota… Você dá a essa pessoa um pedaço seu. E ela nem pediu. Certo dia, ela faz alguma bobagem como te beijar, sorrir para você, e então sua vida não é mais sua. O amor faz reféns. Entra em você. Corrói você por dentro e te deixa chorando no escuro, de modo que uma frase simples como “melhor continuarmos só amigos” ou “mas que perspicaz” vira um caco de vidro que se enterra no coração. Dói. Não só na imaginação. Não só na mente. Dói na alma. No corpo, rasga você por dentro. Nada deveria ter esse poder. Principalmente o amor. Odeio o amor.”

Rose Walker in Sandman, Neil Gaiman.

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